O que é a maternal penalty? E por que a gestão de saúde do RH tem tudo a ver com isso?

A chamada maternal penalty (ou “penalidade da maternidade”) descreve o conjunto de desvantagens profissionais enfrentadas por mulheres após se tornarem mães e pode aparecer em diferentes dimensões da carreira, como salários menores, menos oportunidades de promoção, avaliações mais negativas de desempenho e menor acesso a cargos de liderança.

Para o RH, entender esse fenômeno é essencial — não apenas do ponto de vista de equidade, mas também como fator crítico de competitividade e retenção de talentos.

Como a maternal penalty se manifesta no dia a dia corporativo?

A penalidade da maternidade não é, na maioria das vezes, explícita. Ela costuma surgir de vieses inconscientes e de estruturas organizacionais que não foram desenhadas para acomodar a parentalidade.

Alguns exemplos comuns:

  • Queda ou estagnação salarial: mães tendem a ter aumentos menores ao longo do tempo quando comparadas a mulheres sem filhos e homens.
  • Menos promoções: muitas são vistas como “menos disponíveis” ou “menos comprometidas”, mesmo com bons indicadores de resultado.
  • Atribuição de projetos menos estratégicos: por uma suposição de limitação de tempo ou foco.
  • Avaliações enviesadas: comportamentos considerados positivos em outros (como assertividade) podem ser interpretados negativamente em mães.
  • Pressão pela “prova constante”: mães precisam frequentemente demonstrar mais desempenho para validar sua dedicação.

Relação com saúde mental materna

A maternal penalty vai muito além de um fenômeno estrutural de desigualdade no mercado de trabalho. Ela tem efeitos profundos e muitas vezes invisíveis na saúde emocional das mulheres. Quando a maternidade passa a ser associada à perda de oportunidades, reconhecimento e crescimento, o impacto não fica restrito à carreira: ele atinge identidade, autoestima e bem-estar psicológico. É comum que profissionais mulheres vivenciem mais ansiedade, queda de autoestima e mesmo burnout. Geralmente, há também um forte isolamento, pela dificuldade de falar abertamente com pares e superiores sobre esses desafios, aumentando a sensação de solidão.

Esse cenário cria um ciclo difícil: a sobrecarga emocional impacta o desempenho, que por sua vez pode reforçar percepções negativas no ambiente de trabalho.

O papel do RH na redução da maternal penalty

O RH pode atuar de forma decisiva para reduzir esse gap, criando práticas mais justas e inclusivas. Revisão de políticas e processos, como garantia de transparência em promoções e aumentos, monitoramento de indicadores de equidade, apoio estruturado à parentalidade, licenças equitativas (incluindo licença-paternidade ampliada), programas de retorno ao trabalho e flexibilidade, capacitação de lideranças e fomento a uma cultura organizacional inclusiva.

Empresas que enfrentam a maternal penalty de forma ativa conseguem:

  • Reter mais mulheres após a maternidade
  • Ampliar a diversidade na liderança
  • Aumentar engajamento e produtividade
  • Fortalecer a reputação como empregadora

O potencial transformador dos programas de apoio

É nesse contexto que programas estruturados de apoio deixam de ser “benefícios” e passam a ser instrumentos de equidade e saúde organizacional. A Saúde Digital do Grupo Fleury, através dos nossos serviços de telessaúde, pode apoiar empresas a apoiar mulheres passando por este desafio, entre eles:

1. Suporte psicológico: base para o fortalecimento emocional

O acesso facilitado a psicólogos oferece um espaço seguro para:

  • Elaborar sentimentos de culpa e ansiedade
  • Desenvolver estratégias de enfrentamento
  • Trabalhar autoestima e identidade profissional
  • Prevenir quadros mais graves, como depressão pós-parto

2. Apoio pediátrico: redução da carga mental

Embora possa parecer um benefício clínico, o acesso a suporte pediátrico (telemedicina, orientação contínua, canais de dúvidas) tem um impacto relevante na saúde emocional das mães. Nossa telemedicina oferece atendimento a crianças em serviços eletivos e de urgência (24x7). Com apoio pediátrico sempre disponível é possível:

  • Reduzir a ansiedade relacionada à saúde da criança
  • Evitar decisões solitárias e inseguras
  • Diminuir idas emergenciais desnecessárias
  • Liberar carga cognitiva, permitindo maior foco no trabalho

Empresas que investem em suporte psicológico, pediátrico e programas estruturados de parentalidade criam um ambiente onde mulheres não apenas permanecem mas podem ver seu talento alcançar todo seu potencial.

A verdadeira transformação acontece quando a maternidade deixa de ser um obstáculo e passa a ser integrada, com suporte, à vida profissional. E o RH tem um papel central nessa mudança.

Jane de Oliveira Gonzaga Teixeira

Jane de Oliveira Gonzaga Teixeira

CRM 117423 (São Paulo)